Atacarejo: o que é e qual o impacto sobre o comportamento do shopper?

escrito por Eduardo Silva Última atualização: 8 novembro, 2019
Atacarejo: o que é e qual o impacto sobre o comportamento do shopper?

Atacarejo é uma forma moderna de comércio que une características das duas mais conhecidas e tradicionais formas de comercialização: o atacado e o varejo. Utiliza-se dos conceitos self-service (autosserviço) e cash & carry (pague e leve).

Os motivos para o surgimento do atacarejo no Brasil podem ser os mais diversos, mas principalmente as mudanças que os modelos tradicionais de vendas passaram nos últimos anos em função do novo comportamento por parte dos shoppers. A instabilidade política e a incerteza econômica também são fatores que favoreceram a expansão deste novo modelo no Brasil.

O setor é hoje o que mais cresce no país. São mais de 500 lojas espalhadas por todo o país, com faturamento anual que ultrapassa os 80 bilhões de reais. É também um importante empregador, com mais de 75 mil empregos diretos.

Neste post, você irá descobrir:

  • A origem do atacarejo;
  • Conceitos do atacarejo;
  • O atacarejo da Europa à América;
  • O atacarejo no Brasil;
  • A expansão do atacarejo brasileiro;
  • A importância do setor de bebidas para o atacarejo;
  • O futuro do atacarejo.

 

QUAL A ORIGEM DO ATACAREJO?

O conceito teve origem na Alemanha, pelo professor Otto Beisheim, em 1964 ao abrir o primeiro estabelecimento de Cash and Carry na cidade de Mulheim.

O conceito inicial era bem simples, fazer com que o cliente pudesse escolher o produto na prateleira e levá-lo diretamente para casa, evitando a intermediação de vendedores e, assim, garantir um preço abaixo dos tradicionais mercados.

Dr. Otto Beishem

Dr. Otto Beishem

CONCEITOS DE ATACAREJO

Já falamos sobre o que é atacarejo, agora vamos direto aos conceitos que fazem desse formato um modelo ímpar.

Preço baixo

Para poder ser competitivo, o atacarejo exige preços baixos. Com uma estrutura mais enxuta e, como falado anteriormente, evitando a intermediação, é possível chegar no menor preço em relação aos supermercados tradicionais.

Alto volume de vendas

O atacarejo apresenta um alto volume de vendas para poder compensar os preços baixos e lucrar no ticket médio.

Sortimento menor

O atacarejo foca na quantidade, portanto a negociação é feita em grandes lotes, o que facilita um melhor preço, mas dificulta a variedade de produtos.

Precificação diferenciada

As redes costumam cobrar dois preços para um mesmo produto: um mais barato para quem leva grandes quantidades e outro mais caro para quem leva menos.

DA EUROPA PARA A AMÉRICA

Nos anos 70, o Cash and Carry foi uma febre e se espalhou até cruzar o Atlântico Norte rumo à terra do Tio Sam. Nos Estados Unidos, o modelo sofreu o mais impactante dos efeitos: a família Walton entrou na briga e transformou o mercado.

Sobre a família Walton:A Família Walton, dos irmãos Sam e Bud Walton, soma um patrimônio de cerca de 150 bilhões de dólares, segundo a revista Forbes. Em outras palavras, é a família que comanda a maior rede de varejo do mundo, o Wal-Mart. Só por curiosidade, os filhos de Sam Walton, estão desde 2001 entre os 10 americanos mais ricos do mundo. Juntos eles controlam 39% da companhia, possuindo uma fortuna combinada de mais de 100 bilhões de dólares.

Família Walton, o 'Wal' de Walmart.

Família Walton, o ‘Wal’ de Walmart.

walmart

O Wal-Mart, ao entrar na jogada, acabou regulando e padronizando o modelo, já que era o competidor a ser batido na época (e nos dias atuais).

O ATACAREJO BRASILEIRO

Foi embasado pelo modelo da família Walton, que a rede Makro, dos Países Baixos, trouxe o Cash and Carry em 1972 para o Brasil.

A lógica da Makro era fidelizar o consumidor cortando ao máximo todo o custeio que fosse além do lucro direto da venda ao shopper.

atacarejo macro

Mas o monopólio da Makro não durou muito tempo, logo cada gigante do varejo implementou a sua própria linha na rede do atacarejo brasileiro.

walmart carrefour pão de açúcar

46,4% dos brasileiros fazem compras em atacarejo; modelo que superou os hipermercados em 2015.

ABAD/Nielsen

A EXPANSÃO DO ATACAREJO BRASILEIRO

O faturamento do atacarejo brasileiro em 2015 superou os 250 bilhões de reais, segundo o Estadão.

Um exemplo simples da expansão do atacarejo é o Spani Atacadista, uma pequena rede com algumas lojas em Minas e no Rio de Janeiro. Mesmo sem grande expressão no resto do país, o Spani conseguiu aumentar suas vendas em mais de 70% nos últimos anos.

No Nordeste, a rede baiana Atakarejo fez sua receita avançar mais de 30% nos últimos anos.

A rede Roldão, de São Paulo, encerrou o último ano com receita de 2,7 bilhões de reais. Roldão, que também preside a Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (ABAAS), diz que a conversão de supermercados e hipermercados para o atacarejo vai se intensificar em 2017.

Ricardo Roldão

Não vamos mudar as lojas para atender as madames. Um dos meus funcionários observou que as madames estão frequentando mais as nossas lojas e nos pediu para que fizéssemos reformas para melhor recebê-las. Disse que não. Elas estão vindo aqui porque nós somos assim. Não podemos mudar a essência e o custo. As pessoas buscam preço, variedade e qualidade. Só que essa variedade tem limite.

Ricardo Roldão – Roldão Atacadista

BEBIDA, A MENINA DOS OLHOS DO ATACAREJO

Os atacarejos são canais fundamentais na venda de bebidas, sejam alcoólicas ou não alcoólicas.

De acordo com pesquisa da Euromonitor, o atacarejo representou, em 2016, 13% das vendas de bebidas frias (como refrigerantes, água e suco), 11% das bebidas alcoólicas (como cerveja, destilados e vinhos) e 8% das vendas de bebidas quentes (como café e chá) no Brasil.

A taxa de crescimento do atacarejo está muito acima da média do varejo tradicional, conforme indicado no gráfico abaixo.

A PREDIÇÃO DO ATACAREJO

O atacarejo obteve 56% de penetração em todos os lares do Brasil em 2016. A tendência é continuar crescendo. A perspectiva é que atinja mais de 60% dos lares brasileiros em 2017.

É o único tipo de loja que continua com o crescimento no volume de produtos vendidos em 2017, segundo a ABAAS. As vendas em volume cresceram 15% em 2016 na comparação com 2015 enquanto os outros tipos de varejo juntos tiveram uma queda de 4,2% nas vendas em volume.

O segmento soube acompanhar as mudanças, como a relação do shopper com os canais de compra tradicionais. A indústria passou a negociar mais e melhor, abrindo o caminho para uma expectativa ainda melhor em 2018.

Qual seria o próximo passo?

Um bom palpite seria desenvolver um trade especializado nas necessidades do atacarejo. É uma etapa que deve acontecer a longo prazo, mesmo porque no próprio varejo convencional, no Brasil, essa estruturação ainda não é uma realidade comum.

 

11 comentários
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11 comentários

Você não vai vender para todo mundo | engata e vai 27 junho, 2019 - 12:57

[…] Brasil. O GPA é dono de marcas de supermercado que atendem desde o público mais humilde, como o atacarejo Assaí Atacadista, passando por lojas de padrão intermediário, como Extra e Compre Bem, até […]

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Thyago Nuno 23 janeiro, 2019 - 11:05

queria saber qual e a estrutura do atacarejo

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Carlos Arueira 16 janeiro, 2019 - 11:14

Bom dia a todos, detenho conhecimento neste segmento, desenvolvo um trabalho de layout já há 15 anos, não só com estrutura Porta paletes, mais também com dimensionamento e layout de loja, projetos desenvolvidos no ES e MG neste setor. Deixo aqui meu contato 027 98826-5808 / 99258-2505 – Carlos Arueira

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enso 16 outubro, 2018 - 11:00

tenho um pequeno comercio e aqui so se ve crescimento de atacarejo estes negocios que pagam menos impostos que qualquer outro comrecio e mais se nos que nao conseiguimos cobrar um refrigerante gelado de valor diferenciado de um refri quente,como estes negocios conseguem valores diferrentes para o mesmo produto mesmo que estes prdutos tenha diferentes quantidades de apes tres produtos com 3prod umvlaor 6 produtos outro valor .acho que falta fiscalizacao neste tipo de nogocio onde o grande sempre sobresai sobre o pequeno. .tambem acho um absurdo estes tais dadt curta que tem por ai.

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Johnata Paiva 3 maio, 2018 - 15:55

olá, estou tentando mudar a politica do varejo na minha empresa, pretendo implementar esse modelo de negócio. gostaria de tirar algumas dúvidas sobre o assunto. segue meu e-mail ([email protected])

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Ricardo 29 agosto, 2018 - 21:22

Oi Johnata,

Obteve algum retorno?
Também estou com o mesmo projeto em minha empresa.

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Johnata Paiva 3 maio, 2018 - 15:54

Olá, estou tentando mudar a politica do varejo na minha empresa, pretendo implementar esse modelo de negocio, gostaria de tirar algumas dúvidas sobre o assunto. Segue meu e-mail ([email protected],.com)

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yngrid 28 março, 2018 - 18:59

quanto cresceu em 2017 comparado com 2016?

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Jana Meneghel
Jana Meneghel 17 abril, 2018 - 16:19

Oi Yngrid! Segundo dados da ABAD, o setor atacadista cresceu em 2016 cerca de 7% em termos nominais. Como comparação, em 2015, o setor apresentou um recuo de aproximadamente 6%. Já sobre 2017, ainda não há dados conclusivos, mas há uma estimativa que o setor tenha crescido acima de 15% no último ano.

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Messias Santos 26 outubro, 2017 - 14:26

Faço parte de um grupo que realiza obras para o Atacarejo a 21 anos e gostaria de compartilhar o nosso conhecimento com você inclusive procuro implementar inovações nesse modelo de negócio. Meu nome é Messias Santos – 016-98249-0851 – ou e-mail: [email protected]

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Eduardo Silva
Eduardo Silva 27 outubro, 2017 - 10:13

Olá, Messias, agradeço pelo comentário. Entrei em contato contigo por e-mail para saber mais sobre suas inovações no atacarejo, um grande abraço!

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