Tudo o que aprendemos com o Retail Tech

escrito por Eduardo Silva Última atualização: 11 novembro, 2019
Tudo o que aprendemos com o Retail Tech

Nesta semana o Clube do Trade partiu para São Paulo rumo ao Retail Tech Conference para descobrir como as startups estão transformando o varejo e o e-commerce no Brasil e no mundo.

A conferência foi uma iniciativa da StartSe, uma comunidade empreendedora focada no investimento de startups, e aconteceu no imponente Expo Center Norte.

Os assuntos de pauta foram varejo, e-commerce e startups. E quem puxou o barco neste mar de informações digitais foi o CEO da StartSe, Pedro Englert.

A NOVA ECONOMIA

Pedro falou sobre a nova economia e como ela vem transformando o mundo como conhecemos.

E não havia lugar melhor para ambientar o discurso do que o Vale do Silício. Segundo o CEO da StartSe, o seu ecossistema empreendedor tem como base três pilares: o capital, conhecimento e rebeldia, ingredientes responsáveis por fermentar a inovação no ar.

A web, segundo Pedro, são grandes parceiras nesta transformação.

Mais da metade das pessoas aqui no RetailTech não são de São Paulo. Isso é interessante, porque a StartSe nunca fez nenhuma estratégia física fora do estado, mas mesmo assim a gente conseguiu criar um laço digital com cada um através das redes sociais.”

Pedro EnglertCEO – StartSE

Segundo ele, essa estratégia será ainda mais forte num futuro próximo de até 5 anos. Isso porque a previsão para 2018 é de que mais de 60% da população mundial tenha acesso à internet e às redes sociais.

Outro fator crucial é o fato de que as grandes empresas ficam menos tempo na lista das grandes empresas com a nova economia. Isso acontece porque as empresas não conseguiram criar condições para inovação. Se um funcionário erra, é demitido. Por outro lado, se ele acerta, ganha um aumento ou promoção. As empresas precisam errar para inovar.

TECNOLOGIA PARA A EXPERIÊNCIA

Aproveitando o gancho da inovação, vamos falar do segundo palestrante do evento: Ronaldo Pereira, CEO da Óticas Carol. O tema escolhido foi como a inovação tecnológica mudou a experiência dos consumidores e franqueados.

Fundada em 1997, em Sorocaba, a Óticas Carol foi vendida várias vezes durante sua jornada. Sempre pensando em expandir, a ideia era ser uma grande rede de óticas. E finalmente foi comprada pela maior rede de óticas do mundo em 2017, a Luxótica.

A responsável pela transformação da marca foi uma só palavra: a experiência. Assim, a marca começou a entender que os shoppers não buscam apenas canais de vendas, mas relacionamento com uma marca.

Foi então que a Óticas Carol investiu em tecnologia, mudando o layout das lojas e otimizando a experiência com os shoppers. Com o “My Carol”, a loja resolveu o problema da estocagem, deixando os óculos mais vendidos em exposição e demais modelos disponíveis para encomenda, com prazo de até 72 horas nas lojas, garantindo agilidade e acessibilidade ao catálogo.

Por meio de parcerias com empresas como Microsoft e Adobe, a marca analisa preferências dos consumidores a partir de dados e machine learning. Assim é possível criar lentes específicas para cada necessidade.

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O PONTO DE ENCONTRO

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DISRUPÇÃO NO PONTO DE VENDA

De ótica para ótica, sai Ronaldo Pereira e entra no palco o músico Caito Maia, fundador da Chilli Beans, para dar um show à parte.

Fruto do turbilhão criativo dos anos 90, especialmente tendo como base a maior feira de economia criativa do planeta, o Mercado Mundo Mix, a Chilli Beans é a maior marca de óculos e acessórios da América Latina. Está presente em todos os continentes com mais de 800 lojas.

Percebemos há 10 anos atrás que se continuássemos a vender óculos escuros, iríamos morrer.”

Caito MaiaFundador – Chilli Beans

20 anos depois a marca permanece viva, rentável, global e tatuada na pele de clientes e colaboradores. Como?

Segundo Caito, a Chilli Beans não vende óculos, vende histórias.

Não vendemos o modelo X ou Y, vendemos Chilli Beans”.

Caito MaiaFundador – Chilli Beans

Cada óculos tem uma história enraizada com a marca. Inclusive, o time de criação costuma se reunir semanalmente numa roda de conversas chamada “Drop de Pimenta”. Nessa reunião, são contadas várias histórias sobre cada modelo fortalecendo o storytelling da marca e atualizando os vendedores para ter mais argumentos no momento da venda.

Caito citou a parceria com a cantora Rita Lee. Os óculos trazem a assinatura da cantora acompanhada com um disco voador desenhado por ela mesma. Para ele, quando os fãs da Rita ouvem esta história, o produto passa a ter muito mais valor.

No cenário atual, a Chilli Beans inova com o oferecimento de customização de óculos em tempo real. O consumidor escolhe desde a cor da lente até a haste e o leva montado para casa. Outra customização interessante é a utilização de imãs em óculos de grau que permitem a mudança do estilo do óculos para o uso sob o Sol.

A MUDANÇA COMEÇA INTERNAMENTE

Com o tema de mudança, subiu ao palco o CTO do Magazine Luiza, André Fatala. Ele argumentou sobre as transformações do varejo e revelou como a empresa está lidando com as mudanças.

A transformação teve início em 2013 com a criação do setor de tecnologia e desenvolvimento, o LuizaLabs. Em 2014 o Magazine Luiza já trabalhava com big data e, segundo Fatala, construir uma estratégia baseada em dados é mais econômico do que qualquer outra forma, em todos os sentidos.

No mesmo ano, o LuizaLabs assumiu toda a parte tecnológica do e-commerce da empresa. De acordo com André, foi nesse momento que surgiu a necessidade de criar squads (equipes multidisciplinares).

O checkout, por exemplo, é um processo crítico. Então decidimos criar um time exclusivo para cuidar do checkout para que os indicadores daquele grupo aumentem a taxa de conversão.”

André FatalaCTO – Magazine Luiza

André Fatala argumentou que para inovar dentro de grandes empresas é necessário quebrar alguns paradigmas e ser ágil. No Magazine Luiza a tecnologia é tratada apenas como um meio para solução.

O novo modelo, focado na solução por tecnologia, gerou resultados positivos: a empresa obteve, em 2017, lucro 600% maior em relação ao ano passado.

O FUTURO É OMNICHANNEL

Com o fim do dia se aproximando, foi a vez de uma dupla subir ao palco para encerrar o evento com chave de ouro: Jorge Saraiva Neto, CEO da Livraria Saraiva e Rui Cunha, diretor de Supply Chain no Walmart.

Rui à esq. e Saraiva à dir.

Rui à esquerda e Saraiva à direita.

A começar pela Livraria Saraiva, Jorge contou um pouco sobre a trajetória do grupo, presente no mercado há mais de 100 anos. Ele falou sobre o que a empresa espera para o futuro do varejo.

Na Saraiva a gente não diferencia o público online e off-line, para nós ele é um só”.

Jorge Saraiva NetoCEO – Livraria Saraiva

O omnichannel será o caminho do futuro, segundo Jorge. Além dos eventos, fundamentais para a atração do cliente, a Saraiva apostará suas fichas na fusão entre on e off ao trazer para lojas físicas o mobile check-out e até um aplicativo capaz de apresentar mais detalhes sobre um determinado produto.

Complementando as palavras do CEO da Saraiva, Rui Cunha aponta que o futuro será à base de inteligência artificial, machine learning e drones. Ao menos, é nesta trilha que o Walmart está caminhando a passos largos.

De acordo com o diretor do Walmart, a companhia está passando por uma profunda mudança que busca criar uma experiência omnichannel única.

Estamos tentando aplicar machine learning e inteligência artificial em nossas vendas para melhorar esse processo.”

Rui CunhaDiretor de Supply Chain – Walmart

Para acelerar o processo, a empresa tem comprado startups num ritmo voraz. Em 2016, por exemplo, o Walmart comprou a varejista online Jet.com por cerca de US$ 3 bilhões para reviver seu e-commerce e competir com a Amazon.

Quanto às novas tecnologias, Rui Cunha afirma que a inteligência artificial está sendo estudada pela rede em parceria com a IBM. Além disso, drones já são realidade e robôs estão sendo utilizados para identificar falhas nas prateleiras.

ROBÔS POR TODOS OS LADOS

E por falar em robôs, eles foram destaque no Retail Tech. Não houvesse quem passasse, em especial, pela feira de negócios e não ficasse curioso com os robôs da PluginBot, por isso fomos trocar uma ideia com o pessoal e descobrir do que se trata.

Criamos uma plataforma que visa unificar base de conhecimento e, assim, você usar robôs plugados, chatbots, apps com essa mesma base de conhecimento, então qualquer um pode programar um bot dentro de nossa base. A gente percebe que os adultos ainda têm um receio da proximidade com os robôs, mas em 2, 3 anos as pessoas irão começar a interagir normalmente como fazem com a SIRI no iphone, por exemplo. É o futuro.”

João VictorPluginbot

Antes de encerrar, gostaria de parabenizar a StartSe pela organização e escolha do conteúdo. É claro que o evento contou com muito mais, desde rodada de conversas no palco entre startups e aquele bom networking da feira de negócios. Mas pautamos em trazer os principais pontos do evento e, finalmente, apresentar a você tudo o que aprendemos com o Retail Tech.

E, já que estamos falando sobre varejo, que tal conferir o TradeCast com o Caio Camargo, praticamente um guru do segmento? Ele já foi convidado do nosso webinar e o foco da conversa foi a inteligência do trade para os varejistas.

TRADECAST #2

com Caio Camargo

Como relacionar a inteligência do Trade aos indicadores do Varejo

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