Consumo: o impacto do coronavírus no varejo

escrito por Saraga Schiestl Última atualização: 26 março, 2020
Consumo: o impacto do coronavírus no varejo

A rotina das pessoas em todo o mundo está alterada por causa do coronavírus (Covid-19). Certamente a sua também mudou de alguma forma com a pandemia global. Sua empresa que pode ter autorizado o home office, escolas cancelaram as aulas, eventos foram adiados. Outro reflexo está no consumo. O impacto do coronavírus no varejo afeta toda a economia e, consequentemente, as operações de trade marketing.

Para entender como está  a relação do varejo brasileiro com a pandemia, a Involves produziu uma pesquisa exclusiva com foco na indústria, distribuidores e agências. O objetivo é entender como as empresas que trabalham diretamente com varejo e PDVs estão se preparando e como elas já foram impactadas com relação ao coronavírus.

Os primeiros resultados da pesquisa foram divulgados em webinar. Todas as informações serão compiladas em um material rico que será disponibilizado em breve no Involves Club. Nossa proposta é compreender o cenário do varejo em relação à disseminação do vírus e como a tecnologia pode ser uma aliada para minimizar as consequências em um cenário de pandemia que de alguma forma trabalham no atendimento ao shopper e nos pontos de venda.

IMPACTOS DO CORONAVÍRUS NO VAREJO E O CONSUMO

Com o alcance do coronavírus em todo o mundo, a orientação de muitos governos foi que a população evitasse ao máximo sair às ruas. No Brasil, há restrições pontuais e recomendações para que eventos que causem aglomeração de pessoas não aconteçam.

Para o varejo,  a quebra de estoque é um desafio a ser enfrentado com o impacto do coronavírus. Afinal, em alguns segmentos, como alimentício, por exemplo, há uma tendência das pessoas comprarem em mais quantidade e guardarem mantimentos durante uma situação de pandemia. 

A exemplo do que acontece nos Estados Unidos e na Europa, os brasileiros também estão realizando uma corrida aos supermercados e farmácias. De acordo com a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), o cenário ainda não é de desabastecimento no país. Entretanto, a reposição mais frequente tem sido necessária devido ao maior número de clientes em algumas lojas. 

“Essa situação se concentrou mais em supermercados da capital paulista e em bairros das classes A e B”, informou a Abras em nota. 

Entre os produtos que mais foram adquiridos nessas lojas até o momento estão:

  • Não-perecíveis, como macarrão e café;
  • Produtos de limpeza;
  • Álcool gel. 

A tecnologia ajuda no controle da operação e a entender a performance dos pontos de venda nesse período, especialmente no controle de estoque, evitando a escassez. Entre outras funcionalidades, a solução do Involves Stage  atua na identificação de itens na gôndola, trabalho que passa a ser crítico nesse momento em que o supply chain pode ter dificuldades em prever a demanda. 

INCERTEZAS NA ECONOMIA

A pandemia tem gerado volatilidade na bolsa de valores. Tanto que causou três episódios de “circuit breaker” no Brasil. Algo que só havia ocorrido em 2008, outro momento de crise global. O Ibovespa despencou quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu o surto como pandemia. Desde que o coronavírus começou a se espalhar pelo mundo, o varejo, as indústrias petrolífera e siderúrgica sofreram as maiores baixas. No Brasil, desde 21 de fevereiro, a Ibovespa teve queda de 25,08%.  

Como se sabe, a China é o país com mais casos e foi lá onde tudo começou. Desde o Ano-Novo Chinês, no final de janeiro, que coincidiu com os primeiros registros de coronavírus, as importações estão prejudicadas. O impacto imediato acarretou na falta de matéria-prima para produção de bens de consumo, o que pode causar o desabastecimento da indústria e consequentemente do varejo no Brasil. 

COMPRAS ON-LINE AUMENTAM COM A PANDEMIA

Uma das grandes preocupações sobre o impacto do coronavírus no varejo, está na possibilidade de desabastecimento. Na Itália, país que mais sofre com o coronavírus na Europa, o governo estabeleceu o controle da quantidade de pessoas que podem entrar em lojas ao mesmo tempo. Tudo com o objetivo de reduzir as chances de contaminação. 

Além disso, apenas mercados e farmácias podem permanecer abertos durante a quarentena. Na Irlanda, que também anunciou restrições à população, a ruptura foi percebida em muitos supermercados (veja as fotos abaixo). 

Esse tipo de medida extrema está aumentando as vendas pela internet. Por essa razão, o e-commerce começa a praticar medidas para assegurar os direitos do consumidor. Amazon e o Facebook garantiram que irão excluir vendedores que se aproveitarem da alta demanda dos produtos mais procurados. 

Nesse sentido, a indústria farmacêutica brasileira precisa se prevenir para atender o aumento da procura por medicamentos e itens de higiene. Como é o caso do álcool gel, que já teve faturamento de R$ 1 milhão no comércio eletrônico desde o início do ano. Os dados são da Ebit/Nielsen

SEMELHANÇAS COM A GREVE DOS CAMINHONEIROS

A preocupação do varejo faz sentido quando lembramos do desabastecimento de combustíveis e a consequente falha nas entregas provocados pela greve dos caminhoneiros, em 2018. Na época, o impacto nos estoques permaneceu por semanas após o fim da paralisação. 

O varejo levou meses para recuperar as vendas naquele ano. Em 15 dias, o setor contabilizou perdas que alcançaram os R$ 5,2 bilhões nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Paraná e Distrito Federal. Não é difícil lembrar dessa experiência enquanto cresce o número de casos de coronavírus e países importadores sofrem com o fechamento de barreiras e a falta de pessoal nas fábricas. 

Uma epidemia global tem seus efeitos a longo prazo. Até agora, o Brasil vive em um cenário de contenção e a rotina da população não mudou de forma significativa. Mas com tantos reflexos na economia mundial e a baixa de 2,5% para 2,1% na estimativa de crescimento econômico do país em 2020, segundo o banco suíço UBS, a preocupação é válida. Além disso, não se tem ideia de quando a situação voltará ao controle. 

O momento é de alerta no varejo, assim como nas indústrias, agências, distribuidores e todos que de alguma forma lidam com atendimento aos PDVs. É necessário estabelecer medidas para reduzir as consequências do coronavírus. Trocar e fortalecer o ecossistema também é nosso papel.

 

4 comentários

Sidney alves pereira 26 março, 2020 - 11:19

É um momento para refletir, com o impacto do coronavirus, agora temos que usar de nossas ferramentas para driblar as consequências, usando as tecnologias e assim trazendo um novo olhar para o mundo!

Reply
Saraga Schiestl
Saraga Schiestl 26 março, 2020 - 13:55

Olá Sidney! Obrigada por contribuir com nosso conteúdo. Com certeza estamos passando por um momento de muitas transformações. Abraços!

Reply
JOAO PAULO PINTO PENTAGNA 22 março, 2020 - 09:03

Seria interessante termos uma análise mais profunda do que vem acontecendo no varejo eletrônico x varejo físico no Varejo como um todo, se possível com cases. Certamente as indústrias que já tinham os seus canais digitais mais bem desenvolvidos vão sofrer menos com esta crise e as que não tinham com certeza estão precisando correr atrás.

Reply
Saraga Schiestl
Saraga Schiestl 26 março, 2020 - 13:40

Olá, João!
Ótima a sua sugestão! Em breve vamos divulgar um material completo com a pesquisa que realizamos aqui na Involves sobre os impactos do coronavírus no varejo e está na nossa setlist o tema varejo eletrônico. Mas enquanto esse material não sai, que tal você assistir ao nosso webinar sobre esse assunto? Nossos especialistas deram um show! Clique aqui para conferir! Abraços!

Reply

Deixe seu comentário